Bebê com gases: o que fazer, sintomas e como aliviar rápido
Veja como identificar os sintomas de gases em bebês, o que causa, o que fazer para aliviar na hora e como prevenir o desconforto na amamentação e no sono.

Quando o bebê está com gases, o que mais ajuda a trazer alívio rápido é colocar o corpinho na posição vertical contra o ombro com tapinhas suaves nas costas, dobrar as perninhas em movimento de bicicleta e aplicar calor morno na barriguinha. Os gases decorrem principalmente do ar engolido durante o choro ou ao mamar (pega incorreta) e da fermentação natural no intestino ainda imaturo. Ao contrário do que muitos pensam, a comida da mãe na amamentação raramente é a culpada.
Em resumo
- Sintomas comuns: barriga inchada e durinha, bebê se contorcendo e resmungando, alívio súbito ao soltar pum ou arrotar.
- Gases são diferentes de cólica: o desconforto dos gases é pontual e diretamente ligado ao acúmulo de ar após as mamadas.
- Na hora da crise: coloque em pé para arrotar, faça o exercício de bicicleta com os joelhos e use compressa morna.
- De madrugada os gases parecem piores porque o trânsito intestinal fica mais lento e o bebê engole ar com a pega relaxada.
- A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) não recomenda dietas restritivas para mães que amamentam sem comprovação médica.
- Não medique o bebê por conta própria: o alívio natural e mecânico é o mais seguro para recém-nascidos.
Este artigo possui finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Sempre converse com o pediatra sobre sintomas persistentes ou desconforto fora do habitual.
Como saber se o bebê está com gases: sintomas típicos
Todos os bebês produzem gases, mas nem todos sofrem com eles da mesma maneira. O desconforto por gases ocorre quando bolhas de ar ficam retidas nas curvas do estômago ou do intestino, gerando pressão nas paredes abdominais. Os sinais mais claros de que o bebê está tentando eliminar gases são:
- Barriga estufada e firme: ao tocar com a ponta dos dedos, o abdômen parece um pequeno tambor esticado, às vezes com barulhinhos audíveis de borbulhamento interno.
- Contorções e pernas encolhidas: o bebê se estica para trás e logo em seguida recolhe os joelhos contra o peito, fazendo caretas de incômodo e resmungando.
- Irritabilidade durante ou logo após mamar: ele larga o peito ou a mamadeira, chora, tenta abocanhar de novo e se agita, porque o ar preso no estômago dá uma falsa sensação de estufamento.
- Alívio imediato após o arroto ou pum: se o bebê estava aos berros e relaxa de imediato após soltar um arroto sonoro ou alguns gases, a causa era mecânica.
- Sono inquieto: o bebê geme dormindo, mexe as pernas com frequência e acorda assustado por causa da pressão abdominal.
Se as crises de choro forem longas e sem causa aparente no fim da tarde, pode ser cólica; e se o choro acontecer antes de fazer cocô mole, pode ser disquesia. Confira nosso comparativo detalhado em Cólica, gases ou disquesia: como diferenciar.
O que causa gases no bebê?
Entender a origem dos gases ajuda a atuar na raiz do problema. As principais causas incluem:
- Aerofagia (engolir ar ao mamar): quando a pega na mama não é profunda (o bebê pega só o bico em vez de abocanhar boa parte da aréola), o vácuo se rompe e o bebê engole ar a cada sucção. Na mamadeira, o mesmo acontece se o bico estiver vazio de leite ou com fluxo inadequado.
- Ar engolido durante o choro: quanto mais o bebê chora, mais ar ele engole. Isso cria um ciclo vicioso: o desconforto gera choro, que engole mais ar, aumentando os gases.
- Imaturidade da microbiota e da motilidade: o intestino do recém-nascido ainda está aprendendo a coordenar o fluxo dos resíduos e a processar a lactose do leite materno ou as proteínas da fórmula, resultando em maior fermentação temporária.
Alimentos da mãe que amamenta causam gases no bebê? Mitos e verdades
É comum ouvir que se a mãe comer feijão, brócolis, repolho, chocolate ou alho, o bebê terá gases. Do ponto de vista científico e pediátrico, isso é um mito na imensa maioria das vezes.
O leite materno é produzido a partir de componentes filtrados da corrente sanguínea da mãe, e não do conteúdo digestivo ou dos gases presentes no intestino materno. As fibras que fermentam no estômago da mãe não passam para o leite. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que mães que amamentam tenham uma alimentação variada, rica e equilibrada, sem cortar grupos alimentares essenciais sem um diagnóstico clínico claro (como alergia à proteína do leite de vaca — APLV).
O que fazer na hora da crise: passo a passo para soltar os gases
Quando o bebê estiver inquieto e com gases retidos, realize esta sequência de medidas práticas:
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A técnica vertical do arroto:
Segure o bebê na vertical contra o seu peito, com o queixo dele apoiado no seu ombro. Dê tapinhas suaves e contínuos de baixo para cima nas costas dele com a mão em concha. Isso ajuda as microbolhas de ar a se unirem em uma bolha maior e subirem pela garganta. -
Movimento de bicicleta e compressão de joelhos:
Deite o bebê de barriga para cima sobre uma superfície segura. Segure as canelinhas com delicadeza e pedale as perninhas suavemente, aproximando os joelhos da barriguinha de forma alternada. Em seguida, dobre as duas pernas juntas contra o abdômen, segure por 5 segundos e solte. Essa leve pressão ajuda a empurrar os gases pelo cólon. -
Calor morno na barriguinha (termoterapia):
O calor morno relaxa o esfíncter e a musculatura da parede abdominal, permitindo que o ar preso se movimente com menos atrito e sem dor. Aqueça uma bolsa térmica apropriada para bebês, teste rigorosamente a temperatura no seu pulso e posicione por cima da roupinha por 15 a 20 minutos. -
Posição do bicho-preguiça:
Deite o bebê de bruços ao longo do seu antebraço, com as pernas soltas de cada lado e a cabeça apoiada no seu cotovelo. A gravidade e a sustentação do braço massageiam a barriga de forma constante.
Na prática
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Bebê com gases de madrugada: por que piora e como agir?
Muitos pais notam que entre 3h e 5h da manhã o bebê começa a gemer, contorcer-se e acordar várias vezes com gases. Existem três razões para isso acontecer de madrugada:
- Trânsito digestivo mais lento à noite: durante o sono, o peristaltismo desacelera e os gases acumulam-se por mais horas seguidas.
- Mamadas no escuro e sonolentas: quando a mãe e o bebê estão com muito sono, a pega pode ficar frouxa sem que se perceba, aumentando a entrada de ar. Além disso, é comum esquecer de colocar o bebê para arrotar antes de deitá-lo novamente no berço.
- Falta de movimentação: acordado, o bebê chuta e se mexe, o que movimenta o intestino; parado no berço, o ar fica estagnado.
Como agir de madrugada: não acenda luzes fortes nem converse muito com o bebê para não quebrar o ciclo circadiano. Pegue-o no colo na vertical, faça alguns minutos de bicicleta com as perninhas e posicione a bolsinha morna na barriga para acalmá-lo rapidamente.
Como prevenir o excesso de gases no dia a dia
- Ajuste a pega na amamentação: garanta que os lábios do bebê fiquem virados para fora ("boca de peixinho"), abocanhando grande parte da aréola, sem estalos na sucção.
- Pausa para arrotar no meio da mamada: se o bebê engole ar rápido, coloque-o para arrotar na troca de peito ou na metade da mamadeira, e não apenas no final.
- Tummy Time com o bebê acordado: colocar o bebê de bruços acordado sobre um tapete firme, sempre sob vigilância de um adulto, estimula os músculos do tronco e ajuda na liberação natural de gases.
Quando procurar o pediatra
Consulte o médico se notar
- Vômitos frequentes em jato ou com coloração esverdeada;
- Sangue ou muco nas fezes;
- Febre ou sonolência excessiva que impede o bebê de mamar;
- Choro de dor contínuo que não melhora mesmo após expelir os gases;
- Perda ou estagnação de peso nas consultas de acompanhamento.
Equipe Morini BabySomos especialistas em bem-estar infantil e cuidados com o recém-nascido, em Jundiaí (SP). Criamos a Faixa Térmica Morini para transformar madrugadas difíceis em momentos de aconchego seguro. Para continuar cuidando com carinho, conheça nosso refil de ervas e sementes.


